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17 breves considerações sobre a greve 2009 na Unicamp (e nas estaduais paulistas)

1.
Sobre a greve dos funcionários, estopim das mobilizações 2009: começar praticamente de cara com uma greve para lutar por migalhas e esmolas é demonstração de incompetência: uma paralisação no dia da matrícula e outras demonstrações de organização e mobilização no correr do semestre e dificilmente seria necessário o apelo a um recurso extremo como greve por tão pouco.
O problema é estar organizado e mobilizado.

2.
Não resta dúvidas que a greve 2009 foi tocada por profissionais. O que se esquece de se perguntar é a serviço de quem estão esses líderes grevistas.

3.
Talvez eu esteja me tornando desatualizado também em política, nestes tempos de flash mobs, petições online e congêneres. Porém sempre tive que uma greve fosse fruto de mobilizações e não as mobilizações fruto da greve.

4.
A greve dos estudantes é o que há de mais patético e imaturo. O principal motivo para a greve 2009 é que não houve greve em 2008. A etérea pauta de reivindicações foi necessária porque, por mais que se queira, greve ainda não consegue se justificar por si só, como o carnaval ou as bienais de arte contemporânea. Apesar que a greve dos alunos já é quase uma "Bienal do vazio B".

5.
Elegeram a Univesp para tema da greve, como se ela tivesse sido criada e posta em funcionamento com um ato performativo, assinado em 29 de fevereiro de 2009. A Univesp é um projeto que está sendo elaborado e sobre o qual se trabalha já há um bom tempo. No IFCH ele é sabido desde 2005, pelo menos. Poderia ter havido mobilização desde então. Isso implicaria, contudo, em uma desculpa a menos para uma futura greve, ou ela tardaria mais para começar, porque precisariam buscar outro motivo (até porque já não temos mais a Alca e o FMI para gritar contra).

6.
Até agora não vi nada que condene a Univesp a ponto do projeto necessitar ser abortado. Há falhas problemas erros, mas passíveis de serem sanados. Como a Unicamp tem falhas erros problemas que pode(ria)m ser resolvidos, sem necessidade de fechar a universidade.
Brigar por correções no Univesp seria bem mais simples e realista do que contra o projeto todo, mas isso implicaria um mínimo de responsabilidade pelos seus atos por parte do sindicalismo estudantil (e dos professores).
As críticas mais contundentes à Univesp acabam por desabonar todo o sistema universitário brasileiro.

7.
O principal motivador dos alunos contra a Univesp é o medo. Primeiro o medo do novo (o sindicalismo estudantil é conservador, não esqueçamos). Segundo é o medo de que a formação de um aluno baseada em teleaulas com possibilidade se serem ministradas bons professores seja melhor do que sua formação baseada em
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